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A participação das mulheres na Engenharia de Produção

24/09/2020
A participação das mulheres na Engenharia de Produção

Há muitos anos, a Engenharia era vista como um campo masculino. Contudo, atualmente essa visão mudou muito. A participação das mulheres na Engenharia de Produção aumentou e, acima de tudo, isso aconteceu graças a muitas mulheres. Elas enfrentaram e enfrentam várias dificuldades para conquistar seu espaço na Engenharia.

De acordo com o último Censo, no curso de Engenharia de Produção, o percentual de mulheres já passava dos 30%. Portanto, isso nos mostra que o ambiente acadêmico já apresenta as mudanças que irão se refletir no mercado de trabalho futuramente. Ainda que hoje seja um ambiente majoritariamente de homens.

O curso de engenharia de produção

No universo das engenharias, a Engenharia de Produção é a que tem maior aproximação com as Ciências Humanas. Isso não significa que as estudantes que optarem por esse curso não passarão por um grande teste de exatas durante os primeiros anos da graduação. Geralmente, nos dois anos iniciais estudam-se disciplinas comuns a todas as especialidades da Engenharia. Contudo, elas são consideradas básicas para exercer a profissão, como Física e Cálculo, por exemplo.

Posteriormente a essa fase inicial, a partir do terceiro ano, as disciplinas específicas de Engenharia de Produção começam a aparecer na grade curricular. As alunas passam a ter contato com o que podemos chamar de ‘núcleo duro’ da Engenharia de Produção. Cursam nesse meio tempo disciplinas das áreas de Economia, Custos, Qualidade e Produtividade, Projeto do Produto e da Fábrica, Estratégia, Sustentabilidade na Produção, entre outras.

Nesse sentido, é justamente a proposta curricular interdisciplinar que permite às estudantes dessa engenharia desenvolverem uma visão mais abrangente das empresas e organizações em geral. Diferentemente de outras engenheiras, a de produção adquire durante o curso não só conhecimentos técnicos, mas também de gestão de pessoas, administração e economia. Assim, depois de formada, ela poderá trabalhar em diversas áreas. Analisando a estrutura de uma empresa, gerenciando a área financeira, administrando a mão de obra, implantando processos de produção, assim como muitas outras funções.

O que leva as mulheres a desistirem da engenharia?

De acordo com um artigo científico publicado em 2017,  ainda há grandes lacunas na compreensão das razões pelas quais as mulheres deixam a Engenharia. Seja durante a graduação ou até mesmo depois de já estarem no mercado de trabalho. Entrevistando várias mulheres, à primeira vista os autores descobriram três grandes motivos: remuneração baixa/injusta, más condições de trabalho e ambiente de trabalho hostil. Além da insatisfação com o uso de suas habilidades em matemática e ciências e, por último, falta de reconhecimento e de oportunidades.

Um grande problema é que as mulheres são normalmente excluídas das tarefas mais práticas ou mais pesadas e são designadas para as voltadas para a gestão e organização. Em outras palavras, isso significa tirar toda a diversão da parte prática e assim atribuir tarefas que podem ser entediantes para quem quer colocar todos os seus conhecimentos em ação afinal. É difícil lidar com a sensação de desvalorização, ainda mais quando você quer colocar a mão na massa de verdade e te colocam para separar ou organizar papeis.

Obviamente, o primeiro fator que leva uma mulher a desistir da carreira na Engenharia é o assédio (de qualquer tipo). É desconfortável para uma mulher estar em uma posição na qual ela pode ser desvalorizada, menosprezada ou até mesmo chantageada simplesmente por ser mulher. Da mesma forma, a sensação piora quando vem acompanhada da desvalorização do trabalho que é feito ou até mesmo da supervalorização e do espanto. Um exemplo: “nossa, você é muito boa com tal coisa para ser mulher” ou “você trabalha como um homem”. Frustrante!

Case Nubank

O Nubank é o maior banco digital do país. Opera desde 2013, quando foi fundado pela brasileira Cristina Junqueira, o colombiano David Vélez e o americano Edward Wible. Atualmente, sete anos depois, a engenheira de produção Cristina é vice-presidente da empresa, que já conta com mais de 1500 funcionários.

Isso mesmo. Ao contrário do que possa parecer, Cristina Junqueira não é formada em Tecnologia da Informação ou Engenharia da Computação.

Ciente das dificuldades que as mulheres passam tanto durante a faculdade quanto no mercado de trabalho, a cofundadora do Nubank publicou, em 2018, uma carta aberta no site da revista Marie Claire. Sua intenção foi conselhar as alunas que se formavam no curso de Engenharia. “O mercado de trabalho ainda está repleto de obstáculos que essas formandas terão que superar. De garantir que recebam o crédito por seu próprio trabalho e falar sem ser constantemente interrompidas, até desafiar as premissas de que todas as mulheres querem ser mães e que em algum momento priorizarão filhos e família à carreira. Isso quando tiverem a ‘sorte’ de não estar entre os 42% das brasileiras que já sofreram algum tipo de assédio sexual no trabalho”, escreveu.

Acima de tudo, a engenheira e empresária aconselha que suas futuras colegas de profissão tenham coragem de discutir as diferenças de gênero na área. Que expressem sua insatisfação caso sejam diminuídas por serem mulheres! Além disso, recomenda que as mulheres recusem que outros as definam e, por fim, que estejam dispostas a ajudar umas às outras. “Em algum momento vocês vão se deparar com uma situação de poder ajudar uma mulher que esteja sendo interrompida, ignorada ou até mesmo em uma situação de abuso. Não percam a oportunidade de ser a mudança que queremos ver no mundo e ofereçam ajuda”, conclui.

Lugar de mulher?

Em síntese, é importante ter claro que a engenharia diz respeito a pensar, estudar, projetar, executar e criar soluções para um problema. E isso nas mais diversas áreas! Ou seja, o gênero do profissional não é importante, contanto que ele ou ela esteja apto a encontrar soluções e, dessa forma, disposto a estudar e se atualizar constantemente.

Definitivamente, deu para entender que lugar de mulher é na engenharia, não é? Aliás, lugar de mulher é onde ela quiser!

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